ONG Patas Conectadas - Como a castração pode ajudar no número de animais abandonados no Brasil

Por Alice Trajano, Arthur Arrigoni, Matheus Silva, e Vinícius do Prado 

Eles são super-heróis, já nascem com o poder do amor, basta um pouco de carinho e atenção e pronto, estarão para sempre ao seu lado, sem julgamentos por cor, status, gênero ou religião. Segundo dados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima-se no Brasil o número de 139,3 milhões de animais domésticos, dentre eles 54, 2 milhões são cães e 23,9 milhões de gatos. Ainda segundo o IBGE o Brasil tem mais cães e gatos em seus lares do que crianças.

Números chocantes, ainda mais quando postos ao lado destes: 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães abandonados no Brasil, segundo levantamento da OMS (Organização Mundial da Saúde), animais que antes tinham casa e família agora estão sozinhos e vulneráveis. Só durante o período de pandemia, esses números tiveram um aumento de 70%. 

Por que números tão altos?

Muita coisa mudou com a chegada da Covid-19 no Brasil, impactos sociais e econômicos viraram de cabeça para baixo o cotidiano da população provocando uma mudança no padrão do consumo da família popular brasileira, o que afetou diretamente a prioridade quando o assunto chega aos animais de estimação, muitas pessoas tiveram que mudar de suas casas e procurar um lugar mais acessível para morar, onde não era possível manter 2 ou até mesmo 1 animal. Ou então perdendo seus empregos e renda mensal, tiveram que decidir abrir mão dos cães e gatos que possuíam. 

Lucy, um dos animais resgatados

ONG Patas Conectadas   

Do sonho de estender a mão e ajudar a reverter esse cenário, surgiu a Patas Conectadas, uma ONG de defesa dos animais com quase 2 anos de funcionamento, fundada por Carolina Ujissato, localizada em Guarulhos, São Paulo.

A Patas Conectadas atua principalmente com duas frentes, fazendo a conexão dos animais necessitados, com quem realmente se importa e deseja adotar, e principalmente com a parte de castração desses animais de rua e também animais de pessoas que não tem capacidade de suportar financeiramente o processo de castração. 

A adoção e os cuidados com os bichinhos

Carol explica o passo a passo da adoção: 

“Eu faço uma entrevista, peço fotos do local que a pessoa mora, para ver se é seguro, a gente conversa sobre a rotina da pessoa, tudo a fim de evitar a devolução do bichinho. Então a gente sempre procura, ver o perfil da adotante, com o perfil do animal. Não é todo animal que aceita outras companhias, não é todo animal que aceita criança. É como se fosse ali, um encontro de almas. Então a gente tem que levar tudo isso em consideração, a situação financeira da pessoa, porque o animal dá gasto, então tem todo um processo, não é só, toma aqui e leva. ”

“Eu recebi muitos pedidos, de gente falando que precisava doar o bicho, “aí eu não sei como cuidar”, “está dando trabalho”, “faz xixi”, “come o sofá”, “me ajuda a doar”, então percebi muito isso, que as pessoas, mais um pouco depois do início da pandemia, tentaram sim, se livrar do bichinho.” 

É de extrema importância lembrar que esses animais não são brinquedos, são seres vivos que necessitam de cuidados.

Amora, um dos animais resgatados

Mas daqueles que são adotantes responsáveis, que de fato, já tinha um bichinho, já era muito apegado, eu percebi que eles já tiveram um contato muito mais forte, de filho mesmo. Então, o vínculo, percebi que ficou mais forte, quem realmente ama, quem realmente é um adotante responsável, o vínculo ficou mais forte. Agora quem adotou, ou na empolgação, ou sem planejar financeiramente, teve sim uma tendência a abandonar depois.

A castração

A castração é onde a gente resolve o problema na raiz, para uma um abrigo resgatar um animal, eles precisam ter vaga, e para ter vaga precisa doar o animal. Só que as pessoas, não castram os bichos, principalmente, se elas estão numa situação difícil financeira. E o que acontece, esses bichos, que nascem, viram os adotantes que os abrigos poderiam conseguir. Aí o abrigo fica cheio, porque não consegue doar, e não consegue tirar mais da rua. ” E como resolver isso? “Um eu falo que é educação, para as pessoas não abandonarem os animais e o outro é a parte mecânica, que é a castração, para as ONGS poderem respirar um pouco, conseguir doar o que eles têm, conseguir resgatar mais de rua. Mas se ficar nascendo, nascendo, nascendo, não tem como. Não tem adotante para tudo isso, é impossível. ” Explica Carolina.

Segundo o portal de atendimento da prefeitura de São Paulo, a castração é uma cirurgia feita de forma minimamente invasiva, que serve para evitar permanentemente a reprodução do seu animal. A castração também reduz a ocorrência de alguns tipos de doenças nos cães e gatos.

Custos

O valor da castração no país pode variar entre R$ 800,00 a R$ 1 mil, mas depende de uma série de fatores, entre eles, estão a clínica veterinária, localização, sexo do cachorro e a saúde do cão. Se o animal apresenta um tumor, por exemplo, a castração pode ficar mais cara que o normal. 

“Às vezes, as pessoas não têm nem coleira, para levar o cachorro, não tem caixa de transporte para levar o gato, então eu atuo mais como facilitadora. Quando a pessoa pode pagar ótimo, porque aí tem mais animais para eu ajudar, principalmente os animais que não tem casa, não tem ninguém por eles. Mas quando a pessoa fala, olha Carol eu não consigo nada, a gente vai lá e castra gratuitamente, tudo feito com doação. ” 

“Eu conto com doação, dos seguidores que eu tenho no Instagram, e as castrações são realizadas com clínicas que eu tenho parceria, são todas populares, então o valor chega assim, de R$ 70,00 à R$ 100,00, mais ou menos num gato, cachorro de R$ 90,00 de R$ 160,00. São todos preços populares, mas que, para muita gente, um preço popular, ainda é caro. Quem não tem o que comer, por exemplo.”

Doações e parcerias

Por ser uma ONG não governamental, a Patas Conectadas conta com o apoio de doações, tanto de seus seguidores no Instagram, como através de parcerias com lojas, que destinam parte de seus lucros para ajudar nas castrações e cuidados com os animais que precisam. 

”É uma via de mão dupla, então ao invés da pessoa me doar, dinheiro, ela vai lá e compra alguma coisa que é interessante para ela, que um dos meus parceiros ofereçam, e automaticamente, ela vai estar doando. Eu ajudo os parceiros a vender para mais clientes, e eles também me ajudam com o retorno financeiro e também divulgando minha ONG para os clientes deles. (...) Então a gente tem esse encaixe, é o que eu sempre falo, entre você comprar de uma doceria grande, que você só vai deixar o dono mais rico, e você comprar de uma doceria pequena, que tem ali um sustento familiar, que depende muito daquele trabalho, ainda mais na pandemia, e que também se preocupa com uma causa, é melhor ir lá e comprar do pequeno, que vai estar ajudando os bichos.”

Para não esquecer!!

Meu recado é, adotem. Considerem muito, não comprar um animal, adotar. Porque a gente faz um trabalho suado, difícil, não remunerado, então a gente precisa que esses animais circulem. Não tem como ficar com um monte de animal na minha casa, eles precisam de um lar. Lares temporários não são um lar, não são definitivos. ” Eu tenho um Instagram que é @Carol_patasconectadas. Podem me procurar, me mandar mensagens, sempre respondo. Muita gente me procura, para tentar ajudar com os bichos, quase nunca eu posso ajudar, mas eu tento direcionar a pessoa pelo menos.”

E como doar?

Com a sua doação, você contribui para a manutenção desse sonho da Carolina Ujissato, de ajudar quem não tem como pedir ajuda. 

Doações via PIX: contato@patasconectadas.org

Instagram da Patas Conectadas: @Carol_patasconectadas
 
Lojas apoiadoras da ONG: https://linktr.ee/patasconectadas