O Trabalho dos protetores animais em meio a pandemia




(Cachorro Nonô. Fonte: arquivo pessoal de Amanda brito)


     Através das redes sociais, protetores falam sobre a importância da castração e como doenças que podem ser evitadas através da vacinação, continuam a matar

Bianca Carmona

Matheus de Maio


      A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que só no Brasil existam mais de 30 milhões de animais abandonados, sendo cerca de 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. 170 mil desses animais estão sob os cuidados de ONG's e protetores animais espalhados pelo Brasil. Dados da AMPARA animal mostram que durante a pandemia, o aumento dos casos de abandono de animais subiu em 70%, e a procura por adoções quase 300%. Mesmo com o grande aumento na procura por adoções, os abandonos ainda persistem. 

     O trabalho e atuação das ONG's e dos protetores animais se mostra cada vez mais significativo e determinante para esses animais. A fome, o frio, risco de vida, doenças e crias incontáveis são algumas das dificuldades que esses animais enfrentam. No meio de tantas situações difíceis, alguns desses animais encontram em seus caminhos, pessoas de bom coração e que fazem esse trabalho tão significativo que é o regaste e acolhimento.

    A cada esquina de São Paulo vemos um cachorro ou gato abandonado. Os animais de rua são tão comuns no cotidiano que sua presença é normalizada. O cenário da pandemia ampliou ainda mais esta situação, com a falta de informação, o medo, insegurança, a perda de empregos e as adaptações à nova rotina, muitos donos de pets decidiram simplesmente por abandonar seus companheiros à própria sorte. Muitos desses animais são atropelados, agredidos, mau tratados e estão extremamente doentes. Alguns não conseguem nenhuma ajuda. Os poucos que tem sorte são resgatados por ONG's ou protetores animais. De acordo com Amanda Brito que atua no projeto Amigos da Mia desde janeiro de 2019: “O abandono em Guarulhos é algo eminente, os abandonos estão e sempre estiveram ai, essa seria somente mais uma desculpa para mais uma crueldade humana.”

    Os protetores realizam um trabalho quase invisível, eles resgatam, acolhem, tratam, castram e encaminham esses animais para lares seguros. Para manter este trabalho, os protetores precisam de doações e ajuda. Parte importante do trabalho dos protetores, além de resgatar e tratar esses animais, é encontrar um lar seguro para eles. O processo de adoção conta com vários processos: A triagem, checagem para saber se o adotante tem condições de manter o animal, questionários sobre o motivo da adoção, além da aprovação dos protetores para permitir a adoção.

    A ONG Deixe Viver atua há cerca de 17 anos em Guarulhos. Eles sobrevivem através de doações e castrações à baixo custo. A ONG começou pelo desejo de ajudar os animais que sofriam nas ruas, mas a falta de espaço físico fez com que a Deixe Viver não pudesse manter apenas resgates, assim como muitos outros protetores, tiveram que realizar outros trabalhos associados a proteção animal. O maior obstáculo para todos os entrevistados é o mesmo: A falta de espaço e de verba para manter os cuidados necessários para esses animais. Por isso, cada vez mais protetores, ONG’s e petshops realizam campanhas de castração, para diminuir o número de animais de rua.




   (Filhotes resgatados, para adoção em @BenditoPet

Fonte: arquivo pessoal de Jussara Tenorio)

 O DPAN (Departamento de proteção animal de Guarulhos) informou que nos últimos 14 meses a taxa de adoções cresceu 300%, no entanto, os regastes não param. Atualmente eles contam com 150 vagas para resgate, todas ocupadas. As ONG’s trabalham com um sistema rotativo nessas vagas, assim que um animal é adotado, logo já existem novos resgates. A prefeitura de Guarulhos, através do DPAN conta com um sistema delivery de adoções e com o “castramovel”, que no ano de 2020 realizou 9 mil castrações. Através da castração, além de evitar crias indesejadas, você também protege seu animal de doenças transmitidas pela cruza e de ferimentos causados por brigas.

        Amanda Brito, conta através de seus storys que perdeu cerca de  8 animais para a cinomose nos últimos 2 anos. Mesmo com todo tratamento, medicações, acompanhamento neurológico e internações, os animais acabaram não superando o vírus. O último caso foi o do cachorro Nonô, mesmo após dois meses de tratamento medicamentoso, não foi capaz de vencer o vírus da cinomose.

        A falta de vacinação acessível ao público é outra luta que os protetores animais vem enfrentando. A grande parte dos animais resgatados testa positivo para pelo menos um vírus, o que poderia ser evitado com a vacinação. Atualmente a única vacina disponibilizada de forma gratuita pelas prefeituras é a vacina contra raiva.

        Uma história de superação foi  o caso Tobias, animal resgatado  pelo Projeto BenditoPet, criado por Jussara Tenório. Tobias foi resgatado em maio de 2021, ele estava com cinomose, doença do carrapato, anemia e raquítico. Foram longos meses em tratamento, e mesmo com todas chances contra, Tobias teve uma recuperação incrível. Ele tem sequelas da cinomose e vai precisar de acompanhamento e medicações para controlar as convulsões pelo resto da vida, mas isso não foi um problema pra sua nova família. 

    Abandonar ou maltratar animais é crime previsto pela Lei Federal nº 9.605/98. Uma nova legislação, a Lei Federal nº 14.064/20, sancionada em setembro, aumentou a pena de detenção que era de um ano, para até cinco anos detenção para quem cometer este crime.