ONG modifica projetos para reintegrarem pessoas em situação de rua

Projetos sociais realizados por voluntários são direcionados as pessoas em situação de rua para benefício de ambos 

Por Saadia Gama, Vinicius Tomei, Camily Maciel, Felipe Gomes, e Patrícia da Silva 


ARCAH na Rua, resgatando autoestima e proporcionando momentos de carinho à todos. Foto: arcah.org

ARCAH é uma instituição, localizada no Jardim Paulista, São Paulo, que tem como objetivo ajudar pessoas em situação de rua com programas de reintegração. Desde 2012, a associação tem planejamentos para acolherem essas pessoas. O diretor, Felipe Sabará, observou que, a desigualdade teve um crescimento exponencial e, cada vez mais, pessoas estão indo para as ruas. São pessoas que foram deixadas no espaço da população, invisibilizadas pelo resto da sociedade. O grupo percebeu que pouco era feito para ajudar quem mais precisava; com isso, criaram projetos como, Horta Social Urbana, ARCAH na Rua, ARCAH contra o frio, Atendimento Psicoterapêutico e Levarte. O propósito é ressignificar à vida das pessoas, para que tenham esperança de um futuro melhor. 

A Horta Social Urbana é um dos projetos que busca promover seu fortalecimento através de um programa sócio pedagógico com princípios da permacultura (planejamento de ambientes humanos sustentáveis), agroecologia (agricultura sustentável) e psicologia humanista. Seu objetivo é possibilitar uma renda digna aos agricultores do Projeto Horta Escola, trabalhar por uma sustentabilidade financeira que tenha a duração longa do projeto e ser objeto de inspiração, conhecimento e experiência para outras iniciativas semelhantes. Produzida na horta, a cesta é entregue toda semana aos clientes, entregas feitas de quinta à sábado. Após passar pelo processo de mão-de-obra da horta, o ex-aluno da turma 14 e agricultor da Horta Social Urbana, Sinézio da Silva, afirma que “Me deparei com pessoas restauradoras de sorrisos! O meu já havia perdido há muito tempo, mas hoje eu consigo sorrir”. Sua participação no curso lhe ofereceu uma chance de recomeço. Hoje ele é responsável pela horta do Trattoria Fasano, onde saem os temperos que os chefes usam no preparo dos pratos do restaurante.


Além da Horta Social Urbana, existe o ARCAH na Rua, um projeto que contém três ações, ARCAH contra o frio, Atendimento Psicoterapêutico e Levarte. O intuito é trazer alegria, proteger as pessoas do frio e como diz o lema da instituição “conversar sobre o que se quer conversar”, cada ação tem um compromisso. Este projeto é onde, os voluntários, ficam mais perto da população em situação de rua. Acontece a cada quinze dias. Quando vão até o Centro de Acolhida Parceiro, promovem ações de lazer, esportivas, músicas, cultura, buscando levar aos conviventes momentos nos quais eles se sintam como protagonistas, entregando respeito, amor e, principalmente, muita escuta, do qual possam se expressar sem medo. Essas ações, além de estarem pautadas sob a estratégia de redução de danos, buscam resgatar a autoestima, potencialidade e talentos dessas pessoas. “Foi uma inclusão de verdade, diferente das que a gente já teve até agora. Foi muito bom e está sendo bom ainda porque olha aqui, é uma arte e a gente não tinha aqui.” Depoimento do convivente José, do Centro de Acolhida Zaki Narchi, em mais uma ação do ARCAH na Rua.


Todos têm direito a lazer, diversão, alegria. Projeto ARCAH na Rua potencializando talentos e trazendo felicidade à todos. Foto: arcah.org

O ARCAH contra o frio no inverno, os voluntários saem às ruas de São Paulo para realizar a entrega de kits para população em situação de rua. A campanha busca arrecadar recursos para a compra e distribuição de cobertores, roupas femininas e masculinas, luvas, gorros, meias e conjuntos de moletom, formando os kits. O objetivo é, principalmente, sentar, conversar com essas pessoas, ouvir suas histórias para entender o contexto e aquecer os corações de todos os participantes da ação e despertar o sentimento de potencialidade e pertencimento. “A gente tá muito grato com a presença de todos. Tô com o moletom que tá me servindo bastante. Muito agradecido.” Reconhecimento do senhor Renato, um gaúcho que já foi líder do movimento da população em situação de rua e no momento, vende artesanato no Centro de São Paulo. 



 


Atendimento Psicoterapêutico ocorre semanalmente, direcionado pelos psicólogos, participantes amparados de forma voluntária pela rede de Assistência Social e Saúde, que realizam o atendimento com os acolhidos dos Centros Parceiros. Seu objetivo é de ajudar essa população e realizar a triagem dos projetos. O Projeto Levarte tem para inclusão da arte junto à população em situação de rua. Uma vez por mês promovem a ida de 15 acolhidos dos Centros Parceiros para uma visita guiada e com roda de discussão ao final do passeio. A coordenação do Núcleo de Inovação em Políticas Públicas da ARCAH é responsável pelo Programa Vida, o qual tem a prevenção de promover capacidade às pessoas em situação de rua, por meio de um novo modelo de amparo e acolhimento.

No momento, a ARCAH está em uma campanha de ajudar a população de rua nos Centros de Acolhida a se prevenir contra o coronavírus. Em meio à pandemia, está arrecadando recursos para compra de itens como sabonetes, álcool gel e máscaras para a população em situação de rua que vive nos Centros de Acolhida de São Paulo. A ação busca contribuir com os cuidados de higiene de quem vive uma realidade na qual o isolamento social não é uma opção. Das mais de 24.000 pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo, cerca de 12.000 estão em Centros de Acolhida. São nesses centros que a ARCAH costuma realizar suas ações de voluntariado e triagens para o projeto.