Conheça a Arcah

Por Saadia Gama, Vinicius Tomei, Camily Maciel, Felipe Gomes, e Patrícia da Silva

O projeto multimídia consiste em uma produção de projeto que envolverá todas as disciplinas do 6° semestre de jornalismo. Dessa forma, o tema a ser explorado é "Empatia e solidariedade - imunizantes contra a desigualdade social em tempos de pandemia"

Nesse ínterim, o grupo decidiu contar sobre a Instituição Arcah, de São Paulo. A Arcah (Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade) é uma instituição que promove a reintegração de pessoas em situação de rua na sociedade. O projeto busca ressignificar a vida dos moradores e oferece ferramentas para o descobrimento de paixões, resgate da autoestima e confiança, aprendizados em diversas capacitações. O objetivo é resgatar o sentimento de pertencimento, reconhecendo seu papel, deveres e direitos sociais.

A população de rua existente em todos os grandes Centros Urbanos é caracterizada por pessoas que vivem em condições de extrema pobreza e sem residência fixa. A Arcah defende que essas pessoas são erroneamente chamadas de moradores de ruas, pois, além de serem termos com conotação negativa, a moradia é direito básico de qualquer cidadão, portanto, não devemos assumir que essas pessoas vivam nas ruas.
 
Os cidadãos em situação de rua sofrem diariamente preconceito da sociedade e são tratados, muitas vezes, como invisíveis para o restante da população. Em São Paulo, esses dados crescem cada dia mais. Desde o início da pandemia, pessoas que trabalham diretamente com o acolhimento de pessoas em situação de rua, perceberam que o número de cidadãos que dormem na rua aumentou. Ainda não temos um dado preciso, pois não foi feito um novo Censo. Porém, desde o início da pesquisa sobre o número de pessoas em situação de rua o crescimento ocorre anualmente: em 2015, eram quase 16 mil pessoas; no último censo, em 2019, o número subiu para mais de 24 mil; apenas em São Paulo. Segundo a Arcah, a idade de maior parte dos que estão nas ruas varia de 31 a 49 anos; e o total de pessoas são: 69,3% Pretos ou Pardos, 28% Brancos, 1,7% Indígenas e 0,9% Amarelos. Alguns dos projetos para ressocialização dessas pessoas, feitos pela Arcah, são: 

- Arcah na Rua: "Conversar sobre o que se quer conversar", esse é o que a instituição leva nesse projeto. Nessa interação, os voluntários da Arcah abrem espaços para as pessoas falarem sobre o que quiserem, abrirem o coração. É o momento no qual eles têm um espaço para falar, conversar, serem ouvidos e percebidos. 

- Horta Social Urbana: A Horta Social Urbana busca utilizar espaços ociosos na cidade de São Paulo para produzir alimentos sem o uso dos agrotóxicos. Essa atividade é um programa sócio pedagógico de formação em agricultura urbana agroecológica. Todas as hortaliças são certificadas pela Ecocert

Tudo o que é produzido nas hortas é entregue aos clientes de quinta à sábado. Para receber as hortaliças, os interessados podem fazer uma assinatura mensal e recebem os produtos fresquinhos em sua casa. 

O principal objetivo do projeto é a união do trabalho e autonomia. Nele é possibilitado uma renda digna aos agricultores; trabalho na sustentabilidade financeira; e ser objetivo de inspiração e fonte de conhecimento para outras iniciativas semelhantes. 

- Políticas Públicas: Um projeto interno na instituição é a construção de políticas públicas para melhorar a vida da população em situação de rua. A Arcah busca compreender a problemática na sua totalidade e globalidade e propor soluções adequadas e inovadoras. 

- The Way: Um projeto preventivo que leva esporte, educação e inglês para as crianças da comunidade.

- Levar-te: No "Levar-te" a Arcah leva as pessoas em situação de rua para lugares voltados para a arte, como museus. 

- Eco-Favela: Um dos mais recentes projetos da instituição, o eco-favela promove a reurbanização ecológica das favelas, baseando-se em 5 pilares: água; alimento; saneamento;energia; e estética. 

O grupo conversou com Diego Alonso da Rosa, participante efetivo no projeto Arcah. Diego começou como voluntário, em 2013, e em 2021, ele foi contratado para cuidar do projeto "The Way" e para coordenar a parte do voluntariado, coordenando todas as ações que a instituição faz na rua, comunidade e centros de acolhimento. Rosa contou sobre como a Arcah surgiu. "A Arcah foi fundada em 2012, pelo Filipe Sabará, ele viu tanta desigualdade de pessoas se tornando invisíveis para a sociedade que ele falou 'está na hora da gente fazer alguma coisa'. Então ele criou a Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade". 

Atualmente, a Arcah possui funcionários (remunerados) para cuidar de cada projeto da instituição e cerca de 300 voluntários. Todas essas pessoas fazem parte da chamada "família Arcah". Além disso, a instituição não possui nenhuma ligação governamental, o único contato da ONG com o governo e quando eles vão até os centros de acolhimento (albergues) para fazer a triagem das pessoas em situação de rua. Rosa comenta sobre como é feita essa triagem com as pessoas para entrarem nos projetos da Arcah. " A gente faz as triagens dos projetos dentro dos centros de acolhida. Porque, se a gente vai na rua e fala 'pessoal quem quer participar de um projeto', vai entrar um monte de gente na van. Mas uns vão entrar porque está fugindo de algo ou porque não quer ficar ali naquele dia. Então a gente busca as pessoas no centro de acolhida, pois, a mentalidade deles é de que a rua não é o melhor lugar para eles".

O planejamento para cada projeto da ONG é feito separadamente. O mais complexo, segundo Diego, é o da Horta Social Urbana, pois envolve assistente social e psicólogos que discutem quantas vagas irão abrir para a próxima turma, como que será dado cada passo para o projeto fluir. Já nas ações de centro de acolhimento, comunidade e nas ruas são mais simples, é pensado um tema e em como a instituição irá levar a ação para as pessoas. A Arcah acredita que nessas ações o importante é como que cada ação será feita pelos seus funcionários e não o que será feito, sempre visando o amor e compaixão dos voluntários nas atividades. 

As ações da Arcah sempre são feitas em grupos, a instituição fala para seus voluntários não "engajar" as pessoas sozinhos. Isso porque as atividades precisam fluir, portanto, quanto mais pessoas participando, mais a conversa irá se desenrolar. Outro motivo para ser feito em grupo é o emocional, Diego comentou sobre. "Se a gente tá falando um negócio mais emotivo e isso pega no coração de alguém e eu travo, a pessoa que está do meu lado já prossegue na conversa e deixa parar".

Além da abertura de fala para as pessoas em situação de rua, a Arcah também tem canal aberto para os voluntários. "A gente fala com os voluntários também, depois da ação, que são momentos fortes, a gente fica aberto para eles entrarem em contato. Alguns voluntários vão ao nosso escritório conversar, ou liga e mandam mensagens. A gente deixa um suporte para quem está conosco", diz Diego. 

Um dos maiores desafios enfrentados muitas vezes é a pessoa em situação de rua querer ir para algum centro de acolhimento. "Na rua não existe regra, quando você vai no centro de acolhida tem regra. Muitas das desculpas das pessoas em situação de rua é que no centro de acolhida vão roubar elas. No centro é um lugar que eles vão ter banho quente, cama com colchão, travesseiro, coberta e 5 refeições por dia. Muitas vezes, eles criam camadas para não ir aos centros, para ter uma desculpa para continuar na rua", diz Diego. "Tem centro de acolhida que eu já fui que tinha gente usando drogas lá dentro, tinha 900 pessoas no lugar. Mas tem outros que eu já fiz até aniversário, levei minha família. Tem muito lugar bom", completa. 

A Arcah ajuda as pessoas a entender melhor o que é esses centros de acolhidas. Uma das ações feita pela instituição, juntamente com o governo de São Paulo, foi ir com a van da prefeitura conversar com as pessoas em situação de rua para ir aos centros de acolhida. Nessas ações, a parte do psicólogo faz a diferença. 

Muitas pessoas em situação de rua possuem talentos artísticos incríveis. "Tem muitos artistas na rua, existe muito talento na rua. Pela falta de oportunidade, a gente está com esses projetos preventivos na favela. A ideia é trabalhar com as crianças e famílias", diz Rosa. 

Durante a pandemia, a Arcah conseguiu parcerias de mais de 1 milhão de reais. Todo esse valor foi revertido com álcool em gel, alimentação, produtos de higiene. Semanalmente, a Arcah cuidou de 25 centros de acolhida. A instituição fez testes de COVID-19, elaborou projetos de reformas em centros de acolhidas e enviou tablets para continuar o acompanhamento com psicólogos. A instituição não parou na pandemia e fez o possível para ajudar as pessoas durante esse tempo difícil. 

Para ser um voluntário da Arcah, basta se cadastrar no site oficial da Instituição.